A idealização do parto: você está planejando ou idealizando o seu parto?

Quando olhamos pra história do parto na nossa cultura, vemos uma caminhada que tirou o parto de um ambiente íntimo, de ser um evento entre mulheres, para se tornar hospitalar e centralizado na figura médica. Começou também a aumentar o número de cesáreas, especialmente por mulheres com receio de viver um parto normal violento.

Nesse contexto, a humanização do parto vem resgatar os significados do nascimento e parto para a mulher, onde ela assume o lugar de protagonista e pode construir a sua própria experiência de parto. Assim, profissionais humanizados trabalham no sentido de assistir a mulher, resguardar os seus desejos e intervir adequadamente apenas quando necessário, com base em evidências científicas.

Porém, ao mesmo tempo em que o movimento da humanização cresce, também cresce a idealização do parto. Vemos interesses comerciais, onde o Parto humanizado é vendido como um produto, “glamourizado”, como se existisse uma forma única de parto acontecer. E, também, percebe-se que, ao buscar uma experiência de parto positiva, a mulher acaba idealizando o seu parto, do início ao fim, com expectativas distantes da realidade.

Planejar envolve se informar, entender o “como” e o “porquê” das intervenções, saber que o parto é passível de diversos desfechos e se cercar de uma equipe que respeita a mulher e trabalha baseada em evidências científicas, colocando os SEUS interesses em primeiro lugar. Não é criar um passo-a-passo detalhado, um script de como seu parto vai acontecer. Isso é idealizar, acreditar que vai acontecer de tal forma e, caso não aconteça, a frustração é enorme.

Portanto, como você tem conduzido essa etapa? Ter uma experiência positiva de parto é muito importante, seja ele vaginal ou cesárea. Porém, quanto mais expectativas e idealizações, mais chances a mulher tem de se frustrar e ter uma experiência negativa.

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